Como evitar cair nas “armadilhas” DevOps mais comuns

Praticamente todo mundo está interessado em fazer DevOps hoje em dia, mas, mais do que isso, existe uma tremenda pressão para fazer DevOps certo. Afinal, o panorama da TI está cheio de tecnologias e iniciativas que pareciam prometer coisas boas, mas, por uma razão ou outra, não conseguiram entregar o que prometiam.


No que diz respeito ao DevOps, o conceito é claro – mais rápido, mais ágil, maior desenvolvimento, custos mais baixos, melhor experiência do usuário – então a única coisa que realmente pode afetar todo o processo é a execução. E uma vez que o DevOps requer não apenas uma nova tecnologia, mas uma nova maneira de gerenciar pessoas e processos, existem muitas maneiras pelas quais a execução pode significar a diferença entre sucesso e falha.

O site The Enterprisers Project levantou os 10 maus hábitos que as organizações precisam quebrar para obter o melhor benefício DevOps – a maioria deles decorrentes da tendência ao excesso ou falta de comunicação durante a fase de deploy. Por um lado, as organizações devem resistir ao desejo de alcançar a agilidade do estilo Netflix, especialmente se a base de usuários não estiver pronta para atualizações e patches contínuos. Além disso, a incapacidade de incorporar a segurança como um componente central pode ser uma receita para o desastre. Ao mesmo tempo, no entanto, o DevOps será marginal, na melhor das hipóteses, se a estrutura organizacional permanecer ligada aos processos tradicionais baseados em silos ou se não for acompanhada por altos níveis de automação.

Existe também uma certa tendência em se pensar uma estratégia de código aberto ao estabelecer a infraestrutura e arquitetura DevOps, diz Olivier Bonsignour, desenvolvedor de software na CAST. Isso não é um erro em si, mas às vezes as expectativas de sistemas abertos ultrapassam a realidade, especialmente quando se trata de segurança. O software aberto é notoriamente difícil de gerenciar, com diferentes versões que frequentemente ocupam diferentes sistemas dentro da infraestrutura de TI em qualquer momento. Isso dificulta os testes, levando a situações em que a segurança pode ser examinada em algumas versões do software, mas não em outras, uma vulnerabilidade que os hackers estão ansiosos demais para explorar.

Também pode ser tentador implementar o DevOps em novas infraestruturas modulares ao mesmo tempo em que se abandonam sistemas anteriores, como mainframes, atolados em modelos de desenvolvimento tradicionais. Este é um grande erro, de acordo com o CEO da Compuware, Chris O’Malley, uma vez que a maior parte do processamento corporativo ainda ocorre em mainframes e não há absolutamente nenhuma razão para que eles não possam lidar também com as cargas de trabalho DevOps. Tudo o que é necessário é o software certo que seja capaz de “conversar” a sintaxe adequada. Claro, isso exigirá mudanças em equipes e processos de mainframe, mas isso é meio do que se trata DevOps, no final das contas, não é mesmo?

Mas provavelmente a pior coisa a respeito do DevOps neste momento é esperar. De acordo com uma recente pesquisa da Redgate, enquanto setores como varejo e serviços de TI estão à frente no DevOps, áreas como governo e educação estão atrasadas. Um dos maiores obstáculos é a falta de consciência das vantagens operacionais que o DevOps traz, citado por 40% daqueles considerados “retardatários”. Em muitos aspectos, isso é culpa dos desenvolvedores de sistemas DevOps, que tendem a enfatizar os benefícios para a agilidade e flexibilidade com aspectos mais tangíveis, como melhor conformidade e maior produtividade do trabalhador.

Ainda estamos no início da transição DevOps, por isso armadilhas adicionais devem surgir à medida que mais organizações entram na briga. E com toda a certeza, aquelas histórias que abordam o sucesso completo serão poucas e distantes.

A ideia do DevOps que leva ao nirvana digital é sedutora, mas a complexidade da arquitetura empresarial e a longa história de inovações tecnológicas que prometeram o mesmo ao longo das décadas, indicam fortemente que é preciso manter a cautela por enquanto.

Em última análise, a estratégia mais eficaz para o DevOps é começar pequeno e manter uma visão clara do que o sucesso realmente significa para o modelo de negócios.


Fonte: IT Business Edge

  • Humberto Henrique

    Excelente artigo

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